INSTITUTO VOZ POPULAR APRESENTA EXPERIÊNCIA EM EVENTO DA UNB EM BRASÍLIA


O auditório do Centro Franciscano de Evangelização e Cultura Missão Kolbe, na Asa Norte, foi palco, nesta sexta-feira, da oficina “Comunicação, tecnologias digitais e inovação na relação Estado/sociedade”. Organizada pelo projeto de pesquisa “Capacidades estatais político relacionais: novos caminhos para tempos de transição” que é coordenado por pesquisadores da Universidade de Brasília em cooperação com o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), a atividade reuniu gestores, acadêmicos e representantes da sociedade civil para um dia inteiro de imersão e troca de experiências.

Com duração das 9h às 17h30, a oficina teve como objetivo central conhecer experiências participativas na comunicação e no uso de tecnologias digitais, com especial atenção àquelas voltadas para a inclusão de grupos historicamente excluídos. Por meio de dinâmicas participativas, os organizadores buscaram identificar os principais desafios, habilidades, arranjos e processos que sustentam iniciativas inclusivas, além de levantar recomendações práticas para o poder público sobre como negociar, coordenar e dialogar com diversos atores sociais e políticos na formulação e implementação de políticas públicas.

Uma das experiências que chamaram atenção no encontro foi a apresentação do Instituto Voz Popular (IVP), conduzida pelo sócio fundador Daniel Pereira. Residente da Comunidade São Rafael, em João Pessoa (PB), Pereira compartilhou com os participantes a trajetória de uma iniciativa que começou em 2000 com uma rádio comunitária e se transformou em um verdadeiro ecossistema de envolvimento local sustentável.

A Rádio Comunitária Voz Popular, que completa 26 anos de atuação em 2026, foi o ponto de partida para uma série de ações que impactaram diretamente a vida dos moradores da comunidade. A partir dela, o Instituto criou o Banco Comunitário de Desenvolvimento Jardim Botânico e a moeda social Orquídea, instrumentos que estimulam a economia local e oferecem serviços financeiros e crédito para a comunidade.

“O banco comunitário é de propriedade da comunidade e gerido por uma organização da sociedade civil. Além disso, é necessário que exista um conselho local que faça a controladoria social do banco”, explicou Pereira durante a apresentação.

A iniciativa, no entanto, foi além das finanças solidárias. Pereira detalhou como o ecossistema construído pelo Instituto Voz Popular chegou a distribuir energia elétrica a baixo custo para os moradores da Comunidade São Rafael, demonstrando como a articulação entre comunicação comunitária, economia solidária e inovação social pode gerar soluções concretas para problemas estruturais.

A experiência do Banco Comunitário Jardim Botânico e da Moeda Social Orquídea, segundo Pereira, deu origem à Rede Paraibana de Bancos Comunitários de Desenvolvimento, impulsionando as economias de municípios e territórios empobrecidos na Paraíba.

A oficina realizada nesta sexta-feira integra um esforço mais amplo do MGI e da Universidade de Brasília para fortalecer uma cultura de diálogo baseada na participação e na inovação. As recomendações práticas levantadas durante o encontro deverão subsidiar a formulação de políticas públicas que considerem as experiências bem-sucedidas apresentadas, como a do Instituto Voz Popular.

Ao final do evento, ficou claro que a combinação entre comunicação comunitária, tecnologias sociais, digitais e inovação social, quando articulada com a participação ativa da sociedade, pode gerar transformações significativas. A experiência da Comunidade São Rafael, que partiu de uma rádio para construir um ecossistema de envolvimento local sustentável, é um exemplo de que é possível, sim, construir novos caminhos para tempos de transição.

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