RIO DE JANEIRO SEDIA 1º FESTIVAL NACIONAL DE ECOSOL E TEM BANCOS COMUNITÁRIOS NA PAUTA
A manhã do primeiro dia de seminários do Festival Nacional de Economia Popular e Solidária foi marcada por um debate de peso sobre o futuro do país. No painel principal, que reuniu especialistas, gestores públicos e lideranças do setor, o tema em destaque foi “A Economia Solidária como Projeto de Desenvolvimento para o Brasil”. E entre as vozes mais aguardadas estava a de Joaquim Melo, fundador do Banco Palmas e representante da Rede Brasileira de Bancos Comunitários de Desenvolvimento (BCDs).
Realizado no Pier Mauá, no Rio de Janeiro, o painel contou com a mediação de Mariana Giroto e Marcelo Justo, do Instituto Paul Singer, e reuniu nomes como o economista Ladislau Dowbor (PUC-SP), Anne Sena (Unicopas), Gilberto Carvalho (ex-ministro), Adriana Marcolino (DIEESE), José Paulo Crisóstomo (Governo da Bahia) e André Machado (Fundação Banco do Brasil).
Ao longo de sua fala, Joaquim Melo apresentou dados e experiências práticas que consolidam os bancos comunitários como uma ferramenta eficaz de desenvolvimento territorial. Segundo ele, há mais de 180 BCDs em operação no Brasil, que movimentam moedas sociais próprias e já alcançam mais de 5 milhões de pessoas em comunidades de baixa renda.
“Não se faz desenvolvimento com o dinheiro indo embora. O banco comunitário é a corda que amarra a economia no território. Ele gera crédito acessível, fortalece o comércio local e devolve às pessoas a capacidade de decidir sobre o próprio destino.”
Melo destacou o caso do Banco Palmas, em Fortaleza (CE), que completa 28 anos de atuação como uma das primeiras iniciativas de finanças solidárias do país. Ele também citou a expansão da Rede Brasileira de BCDs, que atualmente articula políticas públicas em municípios de todas as regiões.
Em sua apresentação, o representante dos BCDs destacou as moedas sociais como um dos instrumentos mais inovadores do setor. Citou a Arariboia, de Niterói, que movimenta cerca de R$ 19 milhões por mês. Segundo ele, “O que vemos em Niterói e outros municípios que implementaram os banco comunitários municipais é a prova de que as moedas sociais podem ser adotados como política pública. Eles não substituem o Banco Central, mas cumprem um papel que o sistema financeiro tradicional nunca vai cumprir, aquele de chegar onde o mercado não quer ir.”
Joaquim Melo fez questão de vincular a atuação dos BCDs a um projeto mais amplo de desenvolvimento para o Brasil, que vá além do crescimento econômico e inclua justiça social, soberania local e participação popular. Para ele, “Economia solidária não é assistencialismo. É um novo jeito de produzir, consumir e financiar. Os bancos comunitários mostram que é possível construir uma nação mais justa a partir das bases, sem esperar o dinheiro de cima.”
O Festival Nacional de Economia Solidária segue até o próximo domingo (14), com atividades autogestionárias, oficinas e encontros temáticos. Na tarde do mesmo dia, Joaquim Melo voltou á participar de um debate específico sobre Finanças Solidárias como Solução para Arranjos Monetários Locais (das 16h30 às 19h30), ao lado de Fernando Zamban (SENAES/MTE), Eduardo Diniz (FGV), Marcos Rodrigo (Banco Preventório) e Ester Barinaga (Lund University).
A presença da Rede Brasileira de BCDs no evento já é apontada por organizadores e participantes como um dos principais legados desta edição, sinalizando que o financiamento comunitário deixou de ser uma experiência isolada para se consolidar como pilar estratégico da economia solidária no Brasil.


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