DEBATE NA TV MASTER SEGUE RITO DE OUTRAS EMISSORAS E EXCLUI CANDIDATOS AO GOVERNO
A corrida ao Governo da Paraíba nas Eleições 2026 tem seis candidatos oficializados: Camilo Duarte (PCO), Cícero Lucena (MDB), Efraim Filho (PL), Lucas Ribeiro (PP), Pedro Coutinho (DC) e Yuri Ezequiel (UP). Mas, na prática, o eleitor paraibano não verá todos eles no mesmo palco. Nesta segunda-feira (17), o Sistema Master de Comunicação promove mais um debate entre candidatos ao governo do estado e, mais uma vez, três dos seis concorrentes ficaram de fora: Yuri Ezequiel (UP), Camilo Duarte (PCO) e Pedro Coutinho (DC).
O critério que separa os que sobem ao palco dos que assistem de fora não é a qualidade das propostas, o tempo de vida pública ou a relevância dos projetos. É a representação no Congresso Nacional. A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97) assegura participação obrigatória em debates apenas a candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares na Câmara dos Deputados. Para os demais como UP, PCO e DC, que não têm essa bancada, o convite fica a critério da emissora. É o que ocorre na Paraíba: enquanto Cícero Lucena (MDB), Efraim Filho (PL) e Lucas Ribeiro (PP) têm seus lugares garantidos por força de lei, os candidatos de partidos menores dependem da boa vontade dos veículos de comunicação.
A exclusão, porém, não é um acaso. É o funcionamento planejado de um sistema que concentra poder e visibilidade nas mesmas forças políticas que já dominam o Congresso. "Esta é uma forma de manter os privilégios e o monopólio da comunicação, além de não garantir vez e voz ao povo trabalhador no processo eleitoral", afirma Yuri Ezequiel, candidato da Unidade Popular (UP). A fala do candidato sintetiza o diagnóstico de que o atual modelo ao blindar os grandes partidos e deixar os menores à margem transforma o debate público em vitrine para os já consagrados, em vez de espaço plural de confronto de ideias.
A legislação, na prática, institucionaliza a desigualdade. Ao estabelecer que a participação em debates é um direito apenas de quem já tem representação, o Estado reconhece e reforça a hierarquia partidária existente, em vez de criar mecanismos para que novas vozes possam romper o ciclo de exclusão. As emissoras, por sua vez, têm a faculdade de convidar candidatos de partidos sem representação, mas não o fazem e a lei as ampara. O resultado é que nesta eleição UP, PCO e DC, que representam correntes políticas alternativas às oligarquias locais, são sistematicamente silenciados nos principais fóruns de discussão eleitoral.
Não é de hoje que o debate televisivo brasileiro funciona como um filtro que separa candidatos "relevantes" de "irrelevantes" com base em critérios que nada têm a ver com o mérito das propostas. Em 2022, vários candidatos à Presidência ficaram de fora dos principais debates por não atingirem o patamar de representação exigido. O fenômeno se repete agora nos estados, e a Paraíba é um retrato em escala local de uma distorção nacional onde o debate, que deveria ser o grande momento de confronto democrático, torna-se um espaço de confirmação do poder estabelecido.
A presença de nomes como Camilo Duarte, Pedro Coutinho e Yuri Ezequiel amplia o leque de escolhas para o eleitor que procura alternativas fora dos grupos familiares e das estruturas políticas tradicionais. Mas essa ampliação é meramente formal enquanto os canais de comunicação de massa que continuam sendo os principais formadores de opinião no país se recusarem a dar-lhes o mesmo espaço concedido aos candidatos dos grandes partidos.
O debate da TV Master, ao repetir o roteiro de exclusão, não é uma exceção. É a regra. E enquanto a lei continuar tratando a participação em debates como privilégio de quem já tem assento no Congresso, e não como direito de todo candidato regularmente registrado, a democracia brasileira seguirá empobrecida com menos vozes, menos propostas e menos escolhas para o eleitor.

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