ORQUÍDEA SOLAR APRESENTA EXPERIÊNCIA NA V SEMANA DE ENGENHARIA DE ENERGIAS RENOVÁVEIS DA UFPB
A experiência do Orquídea Solar, iniciativa desenvolvida na comunidade São Rafael, em João Pessoa, foi apresentada nesta quinta-feira (10), durante a V Semana de Engenharia de Energias Renováveis da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A apresentação aconteceu no Painel 1 “Inovação no mercado na Paraíba”, realizado no auditório do CEAR/UFPB.
Representando o Instituto Voz Popular (IVP), o sócio fundador e educador Daniel Pereira apresentou a trajetória da iniciativa e destacou os resultados alcançados com a implantação da energia solar na comunidade, mostrando que a transição energética também pode ser pensada a partir das periferias e das organizações comunitárias.
A mesa reuniu pesquisadores, profissionais e representantes de diferentes áreas ligadas ao setor energético. Além de Daniel Pereira, participaram José Felix, professor da UFPB, coordenador do Projeto Sou Sustentável e integrante do Projeto Orquídea Solar; José Bezerra, diretor de Transferência Tecnológica da Agência UFPB de Inovação Tecnológica (INOVA-UFPB); e Maurício Timótheo, engenheiro civil e ambiental e diretor de ReNova Energia Inteligente. A mesa foi intermediada pela professora Kelly Gomes, do Departamento de Engenharia de Energias Renováveis da UFPB.
Durante a apresentação do Instituto Voz Popular Daniel destacou que o Orquídea Solar nasceu com a perspectiva de aproximar a tecnologia da energia renovável da realidade das famílias de baixa renda, articulando energia solar, inovação social e economia solidária.
A iniciativa integra uma trajetória que envolve o Instituto Voz Popular, o Banco Comunitário de Desenvolvimento Jardim Botânico e parceiros acadêmicos, buscando transformar a geração de energia limpa em uma ferramenta de redução da pobreza energética e fortalecimento da economia local.
A primeira experiência do Orquídea Solar está possibilitando que 08 famílias da comunidade São Rafael tenham acesso a créditos de energia solar, acompanhando também suas contas de energia e os resultados obtidos a partir da utilização da geração fotovoltaica.
Um dos diferenciais apresentados está justamente na conexão entre a energia e a moeda social Orquídea, utilizada pelo Banco Comunitário de Desenvolvimento Jardim Botânico. A proposta amplia o conceito tradicional de geração distribuída ao incorporar mecanismos da economia solidária e da circulação de riqueza dentro do próprio território.
A participação do Instituto Voz Popular na Semana de Engenharia de Energias Renováveis também representa uma aproximação entre o conhecimento produzido na universidade e os saberes construídos pelas organizações comunitárias.
Ao levar para o espaço acadêmico uma experiência desenvolvida dentro de uma comunidade periférica, o IVP colocou em debate uma questão central para o futuro da transição energética, de como garantir que os benefícios das novas tecnologias também cheguem às populações que mais enfrentam dificuldades para pagar suas contas de energia?
A experiência do Orquídea Solar demonstra que a resposta pode passar pela combinação entre tecnologia, organização comunitária, educação, pesquisa, ensino, extensão, economia solidária e políticas de inclusão.
O projeto conta com a participação e colaboração de instituições acadêmicas e parceiros ligados à pesquisa e à inovação, entre eles a UFPB, fortalecendo a construção de soluções que possam ser adaptadas a outros territórios.
A presença do Instituto Voz Popular no evento reforçou uma perspectiva que ganha cada vez mais espaço no debate sobre energia: a transição energética não deve ser apenas tecnológica, mas também social.
A experiência da comunidade São Rafael mostra que painéis solares podem representar muito mais do que uma alternativa para geração de eletricidade. Quando articulados à economia solidária e à organização comunitária, podem se transformar em instrumentos de redução da pobreza energética, geração de autonomia e desenvolvimento territorial sustentável.
Para o Instituto Voz Popular, apresentar o Orquídea Solar na UFPB significa também levar para dentro da universidade a experiência concreta de um território que há anos constrói alternativas para melhorar a qualidade de vida de seus moradores. Da São Rafael para a universidade, a Orquídea Solar mostra que o futuro da energia também pode ser construído de baixo para cima, com participação comunitária, inovação e solidariedade.




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