EVENTO SOBRE MOEDAS SOCIAIS REUNE PREFEITOS, PETROBRAS E PESQUISADORES NA UFRN
Em uma tarde de debates intensos no Auditório 1 do NEPSA II, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) sediou um evento pioneiro para discutir como o dinheiro pode ser reinventado para salvar o planeta. Realizado na última quinta-feira, 19 de março de 2026, o encontro "Moedas Sociais Ambientais: Conectando inovação, sustentabilidade e desenvolvimento territorial" reuniu prefeitos, pesquisadores e representantes de bancos comunitários para traçar os rumos das finanças solidárias no Brasil.
A abertura do evento simbolizou a união entre academia, poder público e sociedade civil. A fala de abertura realizada pelo Pró-reitor de Extensão, Graco Aurélio Viana, saudou os presentes e colocou a universidade e a pro reitoria a disposição para novas parcerias e avanços na temática das finanças solidárias.
Na sequencia foram realizadas as apresentações que começou com o prefeito de Lagoa de Velhos (RN), Nildo Galdino, que mostrou como está sendo implementado a moeda social Fabião que irá ampliar o trabalho com resíduo solido no município e construir uma proposta de lixo zero na cidade.
Na sequencia houve a apresentação de Joaquim Melo, fundador do Instituto E-Dinheiro e presidente da Rede Brasileira de Bancos Comunitários (RBBC), que trouxe os avanços dos bancos e das moedas sociais na rede em todo o Brasil nos últimos anos. "Estamos falando de colocar valor em coisas que realmente importam para a comunidade e para o meio ambiente", destacou Melo, cujo Instituto E-Dinheiro tem sido fundamental para a digitalização e expansão dessas iniciativas. Atualmente, estima-se que cerca de 50 mil pessoas utilizam moedas verdes no Brasil, movimentando aproximadamente R$ 550 mil por mês em práticas sustentáveis.
Outra experiência importante foi do prefeito de Nísia Floresta (RN), Gustavo Santos, que expressou sua vontade de criar uma moeda social no município para gerar a melhoria da economia que fortemente dependente do município vizinho.
Após o intervalo, o evento também dedicou um espaço significativo à articulação entre financiamento e pesquisa, com uma fala "Finanças Solidárias e Investimento Socioambiental" com a participação de Fernando Gonçalves Severo e Joana Yglesias e Silva, da Petrobras, que detalharam a atuação da estatal em parceria com a Rede Brasileira de Bancos Comunitários de Desenvolvimento (BCDs).
Em seguida, Daniel Pereira Santos, representante da RBBC e Gerente de Finanças Solidárias da SESAES/PB, aprofundou o debate sobre como os bancos comunitários atuam como espinha dorsal para o desenvolvimento territorial. Essa relação é crucial para dar escala a projetos como os já existentes em outros estados como o Pila Verde, no Rio Grande do Sul, que troca resíduos orgânicos por alimentos na feira, e a mais recente implementação de moedas solares que estão avançando dentro da rede de BCDs. Além do gerente de finanças solidárias o Chefe de Economia Solidária da Superintendência Regional do Trabalho na Paraíba Júlio Balbueno.
Por último para encerrar o evento houve a fala do professor Eduardo Diniz (FGV EAESP), apresentou a "Agenda e perspectivas para as moedas sociais verdes no Brasil". Em sua fala, Diniz, que também é autor de artigos aprofundados sobre a evolução desses sistemas, como o programa Compra do Lixo de Curitiba até as modernas moedas solares, destacou a importância de métricas e arcabouços legais para a escalabilidade desses projetos. Esses debates refletem uma tendência nacional, que segundo levantamento de Eduardo, das 100 cidades que manifestaram interesse em criar moedas municipais após as eleições de 2024, cerca de 40 possuem um recorte ambiental claro.
O encontro sintetizou o espírito dos pesquisadores, gestores e líderes comunitários que discutiram as moedas sociais como instrumentos não apenas de troca, mas de fortalecimento das economias locais e de inclusão produtiva. A conexão com a Rede Brasileira de BCDs e o uso da plataforma E-Dinheiro foram citados como exemplos de infraestrutura tecnológica que podem viabilizar a transição ecológica justa e um novo modelo de gestão pública mais eficiente e transparente.
Ao final, ficou evidente que a UFRN se consolidou como um polo de articulação entre a ciência e a prática inovadora. A mensagem deixada pelos painéis é clara, mostrando que em tempos de crise climática, as moedas sociais verdes emergem não apenas como paliativos, mas como verdadeiras políticas de estado para reinventar a economia a partir dos territórios.


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